Réu dava presentes caros e pagava escola para adolescente, diz mãe

Réu dava presentes caros e pagava escola para adolescente, diz mãe
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Mãe de adolescente morta em 2011 em Cuiabá foi a primeira a depor em júri.
Empresário mantinha relacionamento amoroso com a vítima.

O empresário Rogério Amorim, acusado de mandar matar a adolescente Maiana Mariano Vilela, de 16 anos, dava presentes e bancava os estudos da vítima, segundo declarações da mãe dela, Suely Cícero Mariano, ao Tribunal do Júri, nesta terça-feira (18), em Cuiabá, durante o julgamento do empresário e de outros dois suspeitos de assassinar a vítima. Suely disse que a filha teve um relacionamento de um ano com o empresário, até que desapareceu em dezembro de 2011.

Maiana e a mãe moravam no Bairro Doutor Fábio, na capital. Suely disse que a filha conheceu Rogério através de uma amiga, que era funcionária de Rogério e teve um relacionamento com ele, antes de Maiana. Rogério é proprietário de uma fábrica de pré-moldados na região do Bairro Três Barras.

“Ela se relacionou com ele um ano, sendo seis meses escondido. Ele apareceu na minha casa e disse que nunca foi casado. Maiana estudava e fazia cursos e começou a namorar com ele”, disse Suely. Em uma época de provas, Maiana perdeu os materiais escolares após uma chuva.

“Minha casa tinha goteiras e molhou os materiais dela. Ele [Rogério] prometeu que ia arrumar o quarto dela, para que ela estudasse tranquilamente. Ele colocou forro, colocou uma porta, que não existia, comprou um notebook para ela, um guarda-roupas e uma cama. Depois, ele comprou um  celular”, declarou a mãe da adolescente.

O empresário dizia para a família que se casaria com Maiana assim que ela completasse 18 anos, inclusive comprou uma quitinete para morar com a menina. Suely passava por um momento de dificuldade financeira às vésperas do aniversário de 16 anos de Maiana e disse para a filha que não poderia dar presentes para a menina.

“Rogério prometeu um presente. Ele levou uma motocicleta de presente de aniversário. Maiana não tinha carteira de habilitação e nunca andou de moto. Achei uma loucura, achei estranho. Eu não vou mentir”, comentou a mãe da adolescente.

Maiana passava a maior parte do tempo, quando não estava estudando, na casa da mãe do empresário. Rogério também passou a bancar os estudos da namorada. “Ela [Maiana] era bolsista em uma escola no CPA, antes de conhecer Rogério. Mas o prazo da bolsa venceu e ele disse que ia assumir a responsabilidade. Ele passou a pagar os estudos”, disse a mãe.

Testemunhas são ouvidas no julgamento de três acusados da morte (Foto: Denise Soares/ G1)

Maiana começou a andar de moto, mesmo sem carteira de habilitação. Rogério disse para a família da adolescente que se responsabilizaria por qualquer coisa que acontecesse. A mãe afirmou que a filha não teve relacionamentos com homens mais velhos anteriormente.

Desaparecimento
Suely não percebeu nenhum problema às vésperas do desaparecimento da filha. A mãe dela, que mora no Paraná, ficou doente e Rogério pagou a passagem de ônibus para que a sogra viajasse. O empresário entregou R$ 500 para Suely.

Suposto corpo de garota foi achado em cova rasa no meio do mato (Foto: Denise Soares / G1)

“No dia 20 de dezembro eu  viajei de ônibus. Saindo da rodoviária, ela ligou e disse ‘nunca esqueça que eu te amo’. Eu retornei [a ligação] e ela não atendeu mais. Quando cheguei no Paraná o celular só dava fora da área de serviço. No dia 25, meu filho me avisou que ela tinha desaparecido. No dia 26 Rogério disse que ainda não tinha encontrado [Maiana]”, recordou a mãe da adolescente.

Suely retornou a Mato Grosso e procurou a polícia para registrar o boletim de ocorrência sobre o desaparecimento da filha. No entanto, Rogério já havia registrado a queixa na polícia.

“Rogério achou que Maiana arrumou um namorado mais rico que ele e o largou. Disse que comprou um apartamento e esperaria que ela voltasse para ele. Eu vendi a casa no CPA para enterrar minha filha. Voltei para o Doutor Fábio. Ele não ajudou no funeral da Maiana. Depois que ela sumiu, procurei não ter contato com ele. Ele disse para não procurar a imprensa”, afirmou a mãe.

Corpo de adolescente foi enterrado na tarde desta terça (31) em Cuiabá (Foto: Marcelo Ferraz/G1MT)

O corpo de Maiana foi localizado em maio de 2012, cinco meses depois do crime, e o sepultamento ocorreu sete meses após o desaparecimento e morte da adolescente, no Distrito do Coxipó do Ouro, em Cuiabá. Um dos acusados do crime foi quem indicou para a polícia o local onde o corpo havia sido enterrado.

Fonte: G1